Scrum Master: O Facilitador Hábil

Roger Schwarz, em seu livro “The Skilled Facilitator”, de 2002, define facilitação de um grupo como “um processo pelo qual uma pessoa cuja escolha é aceitável para todos os membros do grupo, que é suficientemente neutra e que não possui autoridade considerável no processo decisório do grupo, diagnostica e intervém para ajudar o grupo a melhorar como ele identifica e resolve problemas e toma decisões, para aumentar e efetividade do grupo”. A partir dessa definição, Schwarz criou o modelo do “facilitador hábil”. Podemos utilizar o modelo criado por Schwarz para descrever e justificar algumas características que esperamos do Scrum Master no seu trabalho junto ao Time de Desenvolvimento e Product Owner – que, somados ao próprio Scrum Master, constituem o Time de Scrum. Em particular, adoto aqui a abordagem em que o facilitador ensina o time a melhorar seus processos de trabalho e a depender cada vez menos dele, chamado por Schwarz de “facilitação desenvolvimentista”. Neste e em próximos posts, irei detalhar cada um dos elementos abaixo relativos ao Scrum Master, enquanto facilitador: O Scrum Master é neutro. O Scrum Master, enquanto facilitador, é uma pessoa suficientemente neutra, que tem como objetivo aumentar a responsabilidade e capacidade do grupo de resolver seus próprios problemas. Assim, ele não interfere diretamente no conteúdo das discussões do grupo. Para que essa neutralidade seja possível, o Scrum Master preferencialmente não exerce também o papel de membro do Time de Desenvolvimento ou Product Owner, que têm suas opiniões e interesses próprios e, assim, são invariavelmente parciais.
Uma situação de tomada de decisão poderia expor rapidamente uma parcialidade do Scrum Master que também é membro do time, debilitando sua capacidade de atuação como um facilitador. Imagine quando o time se divide em opiniões diferentes e o facilitador-membro do time participa em uma das opiniões. Será que a outra parte, que tem opinião contrária a do facilitador, irá lidar bem com isso? Situações de conflito envolvendo o facilitador-membro do time, que invariavelmente ocorrem, podem ser ainda mais problemáticas, já que ele inevitavelmente é parcial e impossibilitado de atuar como facilitador para ajudar a resolver a questão. Entendo que muitos se veem nessa situação de dividir o papel de Scrum Master com, principalmente, o papel de membro do Time de Desenvolvimento. Embora, como descrevemos aqui, essa situação está longe do ideal, ela é o ponto de partida possível para muitos que estão começando seu trabalho com Scrum. O conselho que posso dar é o de trabalhar, junto a outros Scrum Masters, para ajudar a organização a entender a importância e todo o campo de atuação do papel para então ser capaz de mudar esse cenário.

Quer saber mais sobre Scrum?

SCHWARZ, R. _The skilled facilitator_: a comprehensive resource for consultants, facilitators, managers, trainers and coaches. 2. ed. San Francisco: Jossey-Bass, 2002.
Rafael Sabbagh
Rafael Sabbagh
Rafael Sabbagh, co-fundador da Knowledge21 e membro do Board de Diretores da Scrum Alliance entre 2015 e 2017, é Certified Scrum Trainer (CST) pela Scrum Alliance e também Accredited Kanban Trainer (AKT) pela Kanban Univesity. Atuando como Executivo, possui uma vasta experiência em Transformação Digital e Gestão de Produtos. Ao longo da sua carreira, já treinou milhares de Scrum Masters, Product Owners e Membros de Time em mais de 15 países na Europa, América e Ásia.

Comentários

2 Comments

  1. Adriana Almeida 10/12/2018 em 22:57- Responder

    Ótimo artigo! Só tive uma dúvida: o Scrum Master não pode ter uma opinião? E se essa opinião coincidir com a de um dos outros msmvros?

    • Avelino Ferreira 27/02/2019 em 07:50- Responder

      Se tornar um bom facilitador é bem complicado mesmo 🙂 O maior desafio é resistirmos a vontade de darmos logo uma opinião e fecharmos a conversa. O problema aqui é que você acaba tomando partido para um dos lados e fica uma relação de ganha-perde.

      Seria interessante questionar as pessoas com opiniões diferentes o porquê dela. Conhece a técnica dos 5 porquês?

      Se a discussão já tiver muito longa. Você pode dizer algo do tipo: “Já estamos muito tempo nesse tema e rodando em círculos. Vamos experimentar X, se não der certo, faremos Y. Próximo assunto…”

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