Flight Levels e Business Agility

Muitas organizações estão batendo cabeça durante sua transformação Ágil em busca de Business Agility: O plano estava claro, bem desenhado e comprado pela gestão, os times agora são chamados de Squads e o framework ou método Ágil já foi escolhido e implementado com razoável sucesso na TI. No entanto, meses se passaram e os resultados ainda não apareceram como esperado, gerando pressão e desconforto sobre times e gestão. 

Esse cenário, muito comum em organizações mundo afora, revela uma série de problemas e equívocos que muitas vezes não são compreendidos pelas organizações, que acabam por culpar o método. O trauma pode inclusive fazê-las voltarem ao estado anterior, desistindo do processo de transformação. Em outros casos os problemas são simplesmente ignorados e o estado final do processo de transformação é “temos times ágeis”, enquanto o resultado para os negócios da organização é marginal.

Uma das causas desse tipo de problema é frequentemente o foco na otimização local, ou seja, enxergar um time como se fosse uma ilha ou fomentar, muitas vezes sem intenção, a melhoria do time de forma isolada do resto da organização. Times então promovem suas otimizações locais, sem olhar para o sistema organizacional como um todo. Neste caso, define-se como “sistema organizacional” a relação e dependência entre as partes desta organização. Em um cenário em que, por exemplo, um time constrói, outro valida, outro documenta e outro entrega, mesmo que todos esses times sejam ágeis, a melhoria do sistema não necessariamente ocorrerá, uma vez que os times olham apenas para seus próprios processos internos, ignorando o fluxo da cadeia de valor como um todo e as dependências e relações entre eles.

É aí que entram os Flight Levels: um modelo para pensar a comunicação e alinhamento da organização para fazer com que o time certo desenvolva o produto certo no momento certo, promovendo melhorias em diferentes níveis da organização e gerando a otimização real no fluxo de valor.

O modelo de Flight Levels conta com 3 níveis de voo, descritos a seguir:

Flight Levels e Business Agility 1

– Flight Level 1: o nível de voo mais baixo, olhando a operação, com foco no time de desenvolvimento de produtos e/ou serviços. Times no nível 1 realizam 4 atividades fundamentais: visualizam seu trabalho, limitam WIP, buscam e integram feedbacks rotineiramente e promovem melhorias locais identificadas.

– Flight Level 2: um nível de voo um pouco mais alto, olhando a coordenação entre partes da organização, com foco na colaboração, comunicação e coordenação entre times que atuam em diferentes etapas da cadeia de valor de ponta a ponta. No nível 2, são realizadas as mesmas 4 atividades do nível 1, mantendo a comunicação entre os dois níveis. É neste nível que emerge a gestão de portfólio, e é aqui que dependências entre times são identificadas e tratadas, gerando visibilidade, chamando a atenção para os gargalos e a sincronia entre os times.

– Flight Level 3: o nível de voo mais alto, com foco no alinhamento entre a priorização das iniciativas (projetos e produtos) e o direcionamento estratégico da organização. Aqui a gestão estratégica é conectada à operação. Neste nível de voo o C-Level também se torna Agile e o progresso dos objetivos estratégicos são monitorados.

O modelo de Flight Levels foca na contínua otimização da cadeia de valor, ao invés das otimizações locais de cada time, onde para isso é fundamental compreender o contexto da organização, desenhar uma arquitetura de flight levels para permitir a visualização e gestão do fluxo ponta a ponta e entender as melhores métricas e cadências de reuniões de acompanhamento para cada nível de voo.

Embora o modelo seja simples, há muitos elementos a serem considerados. Apesar do envolvimento e comprometimento da gestão seja um desafio, o uso deste modelo de pensamento leva a uma mudança cultural importante e profunda, com resultados de médio e longo prazo incríveis levando a empresa a aplicar verdadeiramente a tão desejada Business Agility.

Confira no link abaixo o conteúdo que fala um pouco sobre o tema Flight Levels e Governança:

Governança Puxada e a MVB – Minimum Viable Bureaucracy

Aproveite para escutar o episódio do Love The Problem sobre Flight Levels e Business Agility

Autor(es)

Marcos Garrido

Marcos Garrido, co-fundador da Knowledge21, é o único Certified Enterprise Coach (CEC) brasileiro, fazendo parte do seleto grupo de 34 pessoas no mundo que possuem as duas certificações mais importantes da Scrum Alliance. Com grande atuação internacional, possui larga experiência em...

Luiz Rodrigues

Luiz Rodrigues (Lula) é Agile Coach na K21. Acredita na simplicidade e apoia o manifesto ágil e seus princípios. Você pode encontrar o que ele lê no twitter @luizphx, e seus rabiscos em http://luizrodrigues.me.

Jose Jr

Agile Expert e Trainer na Knowledge21, Jose JR atua há mais de 18 anos no mercado de Tecnologia. Com uma longa experiência em Transformação Digital através do TrueAgile em grandes empresas, tanto nacionais como internacionais, já atuou ativamente como agente de transformação em div...

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